O mundo me odiou primeiro

A cerimônia das Olimpíadas 2024

A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris — um festival esportivo destinado a unir todas as nações do mundo — gerou choque e incredulidade, pois católicos ao redor do mundo se sentiram ofendidos pela paródia da Última Ceia, que fazia parte da cerimônia de abertura.

O espetáculo de quatro horas, realizado em 26 de julho, começou com um desfile de atletas pelo rio Sena, acompanhado por música e cenas de dança em cima de monumentos franceses famosos.
A Catedral de Notre Dame, ainda em construção antes de sua inauguração em 8 de dezembro, também foi apresentada com um extenso segmento de dança em homenagem aos trabalhadores que estão reconstruindo o ícone de Paris após um incêndio em 2019. Dançarinos pareciam realizar acrobacias nos andaimes. Os sinos da catedral tocaram pela primeira vez desde o incêndio de 2019 que quase destruiu o edifício.

No entanto, conforme o show progredia, as câmeras de televisão mostraram drag queens, uma das quais usava uma coroa, sentadas à mesa. O formato da coroa lembrava uma ostensório.

A cena foi imediatamente interpretada como uma paródia da icônica pintura mural de Leonardo da Vinci no convento dominicano de Milão da Última Ceia.

A cena da mesa das drag queens também mostrou por um cantor nu aparecendo no meio de uma cesta de frutas, representando Dionísio, o deus do vinho da Grécia antiga, com o perfil oficial dos Jogos Olímpicos no X, anteriormente conhecido como Twitter, afirmando que a representação nos fez “conscientes da absurda violência entre os seres humanos.”

Reação do clero Francês

Os bispos franceses emitiram uma declaração em 27 de julho lamentando as cenas na abertura dos Jogos Olímpicos.

Embora a cerimônia tenha sido uma “maravilhosa exibição de beleza e alegria, rica em emoção e universalmente aclamada,” disseram eles, “infelizmente incluiu cenas de zombaria e escárnio ao cristianismo, o que lamentamos profundamente.” “Gostaríamos de agradecer aos membros de outras denominações religiosas que expressaram sua solidariedade conosco,” escreveram os bispos franceses.

“Estamos pensando em todos os cristãos de todos os continentes que foram feridos pela ousadia e provocação de certas cenas. Queremos que eles entendam que a celebração olímpica vai muito além dos preconceitos ideológicos de alguns artistas,” enfatizaram os bispos.

A cultura secular

Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seuJo 15, 18-19

Vivemos em uma cultura eminentemente secular.

Uma cultura que progressivamente tenta excluir da vida dos indivíduos os elementos da Fé. Da Fé, aliás, que criou as bases desta mesma cultura, fundada em direitos humanos fundamentais, liberdade de consciência, tolerância, fraternidade, etc.

Afinal, o secularismo sempre foi militante. Sob a justificativa de abrir os espaços da sociedade para novas opiniões, novas formas de vida, novas formas de pensamento, a cultura moderna vêm progressivamente lutando contra o que a Igreja ensina e apregoa.

Assim, manifestações como a que ocorreu na abertura das Olimpíadas se tornam cada vez mais comuns. A cultura, no entanto, não trata a Fé Católica com a tolerância e a compreensão que supostamente fundamentam a construção desta cultura secular.

Quem é o inimigo da cultura secular?

É isto que devemos nos perguntar. Afinal, olhemos para o estado da cultura moderna. Vejamos quem ela combate, prestemos atenção em quem ela considera o seu pior inimigo institucional.

Desde já, podemos observar que esta cultura – permeada pelo descarte do ser humano, da banalidade de uma vida cujo único sentido visível é o consumo desenfreado, de um hedonismo desbalanceado – vê justamente a Fé Católica como a figura a se combater, a se zombar, a se destruir.

Não tenhais medo

No entanto, não devemos nos escandalizar.

Os inimigos da Igreja, em sua soberba, imaginam que zombar-nos, que nos tornar como espetáculo para o mundo é algo que nos enfraquece.

Nos tornamos pequenos para que Ele cresça. O martírio – o ato de testemunhar a fé – é também experimentado em face da zombaria da roda dos escarnecedores.

As portas do inferno jamais prevalecerão, e quanto mais o mundo nos ataca, mas nos colocamos na posição de tê-lo superado. Os ataques que sofremos só provam isto a cada dia.

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